Economia
Combustíveis nos valores mais altos de sempre. Quais os setores mais afetados?
Os combustíveis registaram esta segunda-feira mais um aumento agravando o custo de vida das famílias e das empresas. A subida dos preços tem um impacto maior nas empresas de transporte e distribuição. Algumas já pagaram, desde janeiro, cerca de 10 mil euros a mais no gasóleo.
(em atualização)
A RTP esteve numa das maiores transportadoras da zona centro do país, que conta com mais de 30 viaturas e que faz em média um milhão de quilómetros por ano.
O proprietário, António Ezequiel, afirmou que a situação "está a ficar muito difícil. Desde o início do ano e até agora estamos a falar em aumentos de cerca de 48 por cento".
"Este custo, numa empresa como a nossa, que tem 35 viaturas e percorremos um milhão de quilómetros por ano, representa mensalmente um consumo de cerca de 10 mil litros de gasóleo. Isto está a ficar insuportável. Não conseguimos refletir na margem, no preço dos produtos, o custo dos combustíveis", acrescentou. Para António Ezequiel, "a continuar assim vai ser uma tragédia". "Temos de aumentar o preço dos produtos e já informámos os clientes".
Segundo o proprietário da empresa de transportes, "infelizmente o nosso governo, em vez de apoiar as empresas de distribuição, empresas que em toda a zona centro percorremos milhares de quilómetros para chegar às aldeias mais isoladas com o transporte de produtos alimentares aos idosos aos lares às instituições de não temos qualquer apoio. Isto é inacreditável".
"O ónus dos combustíveis passa para as empresas e nós não conseguimos suportar. Infelizmente as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro não preveem o apoio às empresas do nosso setor", acusou.
António Ezequiel realçou ainda que, se não houver alterações, "temos de reduzir a frota e o número de pessoas e reestruturar a empresa para ser viável. Nós já pagámos este ano cerca de 10 mil euros a mais no custo do combustível".
Aumento de 50% por mês para transporte de doentes não urgentesEm Vila Real, uma empresa de transporte de doentes não urgentes que tem 12 viaturas, registou um aumento de 50% por mês em combustíveis.
A empresa Fonseca & Pinto transporta por semana cerca 50 a 60 doentes por dia e faz milhares de quilómetros.
A maior parte dos utentes são pessoas idosas com mobilidade reduzida que necessitam de transporta para vários tratamentos.
A responsável pela empresa recorda que "aumenta o preço do combustível, mas não aumenta o preço do quilómetro" que é pago pelo Estado.
Barcos nas docas No setor das pescas há vários armadores a ponderar deixar os barcos nas docas para fazer face ao aumento do combustível. A empresa Fonseca & Pinto transporta por semana cerca 50 a 60 doentes por dia e faz milhares de quilómetros.
A maior parte dos utentes são pessoas idosas com mobilidade reduzida que necessitam de transporta para vários tratamentos.
A responsável pela empresa recorda que "aumenta o preço do combustível, mas não aumenta o preço do quilómetro" que é pago pelo Estado.
Miguel Cardoso da Associação Olhão Pesca revelou à RTP que "não tem sido fácil, tem sido muito preocupante. O gasóleo agrícola teve um aumento de cerca de 35 a 45 por cento no custo médio".
"Isto preocupa-nos bastante, porque cada vez mais o setor da pesca está muito dependente de fatores ambientais, mau tempo, correntes marítimas. E os custos de produção começam a ser cada vez mais um dos fatores da equação para o barco trabalhar ou não".
Miguel Cardoso recorda que o setor tem tido alguns apoios, "tardios, mas tem tido". No entanto, " a continuar assim há muitos armadores que ponderam entrar em inatividade temporária de forma a tentar passar esta crise".
O peixe não está a chegar mais caro aos consumidores, uma vez que o preço é decidido por leilão na lota. "E decorre muito da lei da procura e da oferta. O setor da pesca não consegue refletir estes aumentos na venda do pescado. E está refém da situação".
"O setor da pesca é um setor primário e débil e torna ainda mais difícil e complicado o exercício e manutenção desta atividade", frisou Miguel Cardoso que alerta ainda para a possibilidade de área "entrar numa grande crise".
Gasóleo agrícola aumentou de 90 cêntimos para 1.70 eurosOs produtores de animais e de cereais são também afetados pelo aumento do preço dos combustíveis que mantém "todos os dias a mesma rotina para os alimentar"
Paulo Valente, produtor de animais e de cereais em Montemor-o-Velho revelou à RTP que depois de "uma época de cheias, estamos agora num período de muita seca, em que as pastagens não têm nada e tem de se gastar a forragem que fomos armazenando. Todo esse processo é feito à base de combustível, não há como fugir. Tem de ser com o trator que gasta combustível".
Segundo Paulo Valente, "no início do ano o gasóleo agrícola estava a pouco mais de 90 cêntimos e neste momento está sensivelmente a 1.70, dependendo do custo de abastecimento".
Em relação à medida anunciada por Luís Montenegro do apoio extraordinário de 10 cêntimos por litro no gasóleo agrícola até ao final do ano, o produtor de animais e cereais frisa que "é insuficiente" e recorda que em Espanha esse apoio é o dobro e que os combustíveis são mais baratos.
"Vejo o futuro com muita tristeza e há que ponderar continuar com a atividade"Pão vai aumentar
Paulo Amarelo, padeiro em Évora, trocou dois veículos a combustão por veículos elétricos para compensar o aumento do preço dos combustíveis.
"Eu gastava semanalmente 150 euros em gasóleo" e agora "consigo gastar 200 euros mensais", contou à RTP.
Ainda assim, "vamos ser obrigados a aumentar o preço do pão" pois "a farinha sobe, tudo sobe", disse.
Paulo Valente, produtor de animais e de cereais em Montemor-o-Velho revelou à RTP que depois de "uma época de cheias, estamos agora num período de muita seca, em que as pastagens não têm nada e tem de se gastar a forragem que fomos armazenando. Todo esse processo é feito à base de combustível, não há como fugir. Tem de ser com o trator que gasta combustível".
Segundo Paulo Valente, "no início do ano o gasóleo agrícola estava a pouco mais de 90 cêntimos e neste momento está sensivelmente a 1.70, dependendo do custo de abastecimento".
Em relação à medida anunciada por Luís Montenegro do apoio extraordinário de 10 cêntimos por litro no gasóleo agrícola até ao final do ano, o produtor de animais e cereais frisa que "é insuficiente" e recorda que em Espanha esse apoio é o dobro e que os combustíveis são mais baratos.
"Vejo o futuro com muita tristeza e há que ponderar continuar com a atividade"Pão vai aumentar
Paulo Amarelo, padeiro em Évora, trocou dois veículos a combustão por veículos elétricos para compensar o aumento do preço dos combustíveis.
"Eu gastava semanalmente 150 euros em gasóleo" e agora "consigo gastar 200 euros mensais", contou à RTP.
Ainda assim, "vamos ser obrigados a aumentar o preço do pão" pois "a farinha sobe, tudo sobe", disse.